O BPC-157 (Body Protection Compound-157) é um peptídeo sintético composto por 15 aminoácidos, derivado de uma proteína maior chamada BPC, encontrada naturalmente no trato gastrointestinal humano. A proteína BPC exerce um papel essencial na proteção da mucosa gastrointestinal, auxiliando na manutenção da integridade do tecido, na cicatrização e na adaptação a agentes agressivos como ácido gástrico, bile e processos inflamatórios.
O BPC-157 foi isolado como o fragmento biologicamente ativo dessa proteína maior e demonstrou reter grande parte de suas propriedades regenerativas, mesmo fora do ambiente gastrointestinal. Por isso, tornou-se um dos peptídeos mais estudados em pesquisas relacionadas à cicatrização de tecidos, crescimento vascular, regeneração musculoesquelética, proteção gastrointestinal e modulação inflamatória.
O BPC-157 atua por meio de múltiplas vias celulares integradas, promovendo reparo tecidual, angiogênese e modulação do ambiente inflamatório.
Um dos mecanismos centrais do BPC-157 é o recrutamento, proliferação e migração de fibroblastos, células fundamentais para o processo de cicatrização. Estudos in vitro e in vivo demonstram que o BPC-157 apresenta um efeito dose-dependente na disseminação de fibroblastos, acelerando sua migração para áreas lesionadas.
Os fibroblastos são responsáveis pela produção de componentes da matriz extracelular, como colágeno, fibrina e elastina, elementos essenciais para a reconstrução estrutural de tecidos lesionados. Esse mecanismo explica o amplo potencial do BPC-157 na cicatrização de feridas e tecidos conjuntivos.
O BPC-157 apresenta forte atividade angiogênica, estimulando a proliferação de células endoteliais, que revestem os vasos sanguíneos. Estudos em modelos animais demonstram aumento significativo da formação de vasos colaterais em situações de isquemia.
Parte desse efeito ocorre por meio da ativação do VEGFR2 (Vascular Endothelial Growth Factor Receptor 2), um receptor-chave na via de sinalização do óxido nítrico, fundamental para o crescimento, sobrevivência e funcionalidade das células endoteliais. Embora inicialmente observado no trato gastrointestinal, esse efeito angiogênico também foi descrito em tecidos musculares, cardiovasculares e neurológicos.
Lesões em tendões e ligamentos apresentam recuperação lenta devido ao baixo suprimento sanguíneo desses tecidos. O BPC-157 demonstrou capacidade de aumentar a colateralização vascular e elevar a densidade de fibroblastos em lesões de tendões, ligamentos e ossos.
Estudos comparativos indicam que o BPC-157 pode ser mais eficaz do que fatores de crescimento clássicos, como bFGF, EGF e VEGF, na promoção da regeneração de tecidos conjuntivos. Esses efeitos o tornam um peptídeo de grande interesse em pesquisas sobre lesões musculoesqueléticas e recuperação estrutural.
Análises celulares demonstraram que o BPC-157 é um potente estimulador da formação de F-actina, componente essencial do citoesqueleto celular envolvido na migração e organização estrutural das células. Experimentos com western blot indicam aumento da fosforilação das proteínas FAK (Focal Adhesion Kinase) e paxilina, ambas cruciais para os processos de adesão e migração celular durante a cicatrização.
O BPC-157 demonstrou capacidade de reduzir marcadores de estresse oxidativo, como óxido nítrico excessivo e malondialdeído (MDA), especialmente no trato gastrointestinal. Esses efeitos antioxidantes estão associados à redução da produção de espécies reativas de oxigênio (ROS), contribuindo para um ambiente celular mais favorável à regeneração.
Além disso, o peptídeo exerce efeitos moduladores sobre o sistema imunológico, ajudando a equilibrar a resposta inflamatória sem causar imunossupressão generalizada.
O BPC-157 é um pentadecapeptídeo com a seguinte estrutura:
Sequência: Gly-Glu-Pro-Pro-Pro-Gly-Lys-Pro-Ala-Asp-Asp-Ala-Gly-Leu-Val
Fórmula molecular: C₆₂H₉₈N₁₆O₂₂
Peso molecular: 1419,56 g/mol
Identificação: PubChem CID 108101
Sua estrutura compacta e estável contribui para sua atividade biológica consistente, mesmo em ambientes fisiologicamente adversos.