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Descrição

Melanotan 2 (MT-2)

O que é

Melanotan 2 (MT-2) é um peptídeo sintético derivado do hormônio estimulante de melanócitos alfa humano (α-MSH). Ele foi originalmente desenvolvido na década de 1980, na Universidade do Arizona, com o objetivo inicial de criar uma alternativa de bronzeamento sem exposição solar. Durante esses estudos, observou-se que o α-MSH e seus análogos apresentavam efeitos adicionais relevantes, incluindo alterações no comportamento sexual, no apetite e em vias neurológicas centrais.

Com o avanço das pesquisas, o MT-2 demonstrou uma ampla gama de efeitos biológicos mediados pelo sistema de melanocortinas, tornando-se um importante peptídeo experimental para o estudo da pigmentação da pele, comportamento alimentar, função sexual, metabolismo energético e regulação neuroendócrina.


Mecanismo de ação

O Melanotan 2 exerce seus efeitos por meio da ativação dos receptores de melanocortina, um grupo de cinco receptores acoplados à proteína G, cada um com funções fisiológicas distintas:

  • MC-1R: Expresso em melanócitos; sua ativação promove aumento da melanogênese, resultando em escurecimento da pele e dos cabelos.

  • MC-2R: Presente nas glândulas adrenais; envolvido na secreção de hormônios adrenais, como o cortisol.

  • MC-3R: Associado ao controle do apetite e à regulação da energia, embora suas funções ainda não sejam completamente compreendidas.

  • MC-4R: Relacionado à saciedade, comportamento alimentar, função sexual e homeostase energética.

  • MC-5R: Expresso em glândulas sudoríparas e células das ilhotas pancreáticas.

O MT-2 apresenta afinidade principalmente pelos receptores MC-1R e MC-4R, com ligação secundária ao MC-3R, explicando seus efeitos combinados sobre pigmentação, comportamento sexual e controle do apetite.


Melanotan 2 e pigmentação da pele

A ativação do receptor MC-1R pelo MT-2 estimula a produção de melanina nos melanócitos, levando ao escurecimento da pele de forma independente da exposição à radiação ultravioleta. Esse mecanismo foi o principal motivador de seu desenvolvimento inicial e continua sendo uma das aplicações mais estudadas do peptídeo.


Melanotan 2 e comportamento sexual

Estudos experimentais demonstraram que o MT-2 pode aumentar a excitação sexual e modular o comportamento reprodutivo, efeitos atribuídos principalmente à ativação do receptor MC-4R em regiões específicas do sistema nervoso central. Esses achados tornaram o MT-2 um importante modelo de pesquisa para o estudo da função sexual masculina e feminina.


Melanotan 2 e metabolismo energético / fome

Há evidências consistentes de que o MT-2 reduz o apetite e a ingestão alimentar em modelos animais. A ativação do receptor MC-4R desempenha papel central nesse processo, promovendo:

  • Redução da ingestão calórica total

  • Diminuição da preferência por alimentos ricos em gordura

  • Modulação de vias centrais de saciedade

Os efeitos do MT-2 são frequentemente comparados aos da leptina, o chamado “hormônio da saciedade”. No entanto, diferentemente da leptina, o MT-2 atravessa a barreira hematoencefálica com maior eficiência, permitindo uma ativação mais direta dos circuitos centrais de controle do apetite. Estudos sugerem que o MT-2 pode estimular tanto vias dependentes quanto independentes de leptina, aumentando a expressão do hormônio liberador de tireotropina (TRH) no núcleo paraventricular do hipotálamo, região-chave na regulação da saciedade.


Melanotan 2 e diabetes

Pesquisas indicam que a sinalização da leptina sobre o metabolismo da glicose é mediada, em parte, pelos receptores de melanocortina. O MT-2 demonstrou produzir efeitos semelhantes aos da leptina, incluindo:

  • Redução da hiperglicemia

  • Supressão da secreção de glucagon

  • Interferência na formação de corpos cetônicos

Esses efeitos são particularmente relevantes porque não dependem diretamente da insulina, tornando o MT-2 um peptídeo de interesse para estudos sobre vias alternativas de controle glicêmico, especialmente em modelos de diabetes.


Melanotan 2 e transtorno do espectro autista (TEA)

Pesquisas mais recentes em modelos animais de transtorno do espectro autista (TEA) sugerem que o MT-2 pode reverter ou atenuar características comportamentais associadas ao autismo, como:

  • Redução da comunicação social

  • Prejuízo na interação social

  • Comportamentos repetitivos

 

Esses efeitos parecem estar relacionados à capacidade do MT-2 de estimular a liberação de oxitocina e aumentar a expressão de seus receptores em regiões específicas do cérebro. Em modelos de ativação imunológica materna (MIA), a administração de MT-2 restaurou níveis de sociabilidade próximos aos observados em animais controle, sugerindo uma relação direta entre sinalização de oxitocina mediada por melanocortinas e comportamento social.