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Description

Tirzepatida (Tirzepatide)

O que é a Tirzepatida

A Tirzepatida é um peptídeo sintético de ação prolongada desenvolvido como um agonista duplo dos receptores GIP (polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose) e GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1). Essa característica a diferencia de terapias baseadas exclusivamente em GLP-1, posicionando a Tirzepatida como uma nova geração de moduladores metabólicos.

Inicialmente desenvolvida para o tratamento do diabetes mellitus tipo 2, a Tirzepatida demonstrou, em estudos clínicos, efeitos profundos na redução de peso corporal, melhora do controle glicêmico, redução da gordura visceral e melhora do perfil cardiometabólico, tornando-se alvo de intenso interesse científico e clínico.


Mecanismo de ação da Tirzepatida

A Tirzepatida atua simultaneamente em dois eixos hormonais fundamentais do metabolismo energético:

1. Ativação do receptor GLP-1

  • Estimula a secreção de insulina dependente da glicose;

  • Inibe a secreção de glucagon;

  • Retarda o esvaziamento gástrico;

  • Aumenta a saciedade e reduz a ingestão calórica.

2. Ativação do receptor GIP

  • Potencializa a secreção de insulina pós-prandial;

  • Modula o metabolismo lipídico;

  • Atua diretamente no tecido adiposo, favorecendo a redistribuição e oxidação de gordura;

  • Pode reduzir efeitos adversos gastrointestinais associados ao GLP-1 isolado.

A ação combinada desses dois receptores resulta em sinergia metabólica, promovendo controle glicêmico mais eficiente, maior perda de peso e melhor sensibilidade à insulina quando comparada a agonistas únicos de GLP-1.


Tirzepatida e controle glicêmico

Estudos clínicos demonstraram que a Tirzepatida promove reduções expressivas da hemoglobina glicada (HbA1c), frequentemente superiores às observadas com insulina basal ou agonistas tradicionais de GLP-1.

A secreção de insulina estimulada pela Tirzepatida é dependente da glicose, o que reduz significativamente o risco de hipoglicemia. Além disso, a inibição do glucagon contribui para menor produção hepática de glicose, resultando em um controle glicêmico mais estável ao longo do dia.


Tirzepatida e redução de peso corporal

Um dos aspectos mais notáveis da Tirzepatida é seu impacto na perda de peso, mesmo em indivíduos sem diabetes. Ensaios clínicos demonstraram reduções médias de peso corporal que podem ultrapassar 15–20%, dependendo da dose e da duração do tratamento.

Esse efeito é mediado por múltiplos mecanismos:

  • aumento da saciedade central;

  • redução do apetite hedônico;

  • atraso do esvaziamento gástrico;

  • aumento da oxidação de gorduras;

  • redução da gordura visceral e ectópica.

Esses achados posicionam a Tirzepatida como uma das moléculas mais potentes já estudadas para manejo da obesidade e distúrbios metabólicos associados.


Tirzepatida e sensibilidade à insulina

Além de estimular a secreção de insulina, a Tirzepatida melhora significativamente a sensibilidade à insulina periférica, especialmente no músculo esquelético e no tecido adiposo.

A ativação do receptor GIP parece desempenhar papel central nesse efeito, modulando o metabolismo dos adipócitos, reduzindo inflamação metabólica e melhorando a função mitocondrial do tecido adiposo. O resultado é uma redução da resistência à insulina e melhora do metabolismo global da glicose.


Tirzepatida e saúde cardiovascular

A obesidade visceral, a hiperglicemia crônica e a inflamação sistêmica são fatores centrais no desenvolvimento de doença cardiovascular (DCV). Estudos sugerem que a Tirzepatida contribui para:

  • redução da gordura visceral;

  • melhora do perfil lipídico;

  • redução da pressão arterial;

  • diminuição de marcadores inflamatórios sistêmicos.

Esses efeitos indiretos indicam um potencial benefício cardiovascular significativo, sendo a Tirzepatida atualmente investigada em estudos de desfechos cardiovasculares de longo prazo.


Tirzepatida e metabolismo hepático

A deposição de gordura no fígado (esteatose hepática metabólica) está intimamente ligada à resistência à insulina. Evidências iniciais sugerem que a Tirzepatida pode reduzir a gordura hepática, melhorar enzimas hepáticas e modular vias inflamatórias associadas à doença hepática gordurosa não alcoólica (NAFLD/MASLD).

Esses efeitos ampliam o interesse da molécula como ferramenta terapêutica em distúrbios metabólicos sistêmicos.


Pesquisas atuais e perspectivas

A Tirzepatida representa uma nova classe de peptídeos incretínicos duais, com aplicações potenciais que vão além do diabetes tipo 2, incluindo:

  • obesidade;

  • síndrome metabólica;

  • resistência à insulina;

  • doença cardiovascular;

  • distúrbios hepáticos metabólicos.

Atualmente, a maior parte das evidências deriva de ensaios clínicos controlados e estudos translacionais, com pesquisas em andamento para avaliar segurança, eficácia a longo prazo e possíveis aplicações adicionais.